segunda-feira, 18 de julho de 2016



Teus olhos de festa


Que irradiam luz por onde passam
e ternamente plantam mudas de alegria
regando-as todos os dias.

Teus olhos de festa
Que adoçam as ruas e as curvas
jamais estacionam na tristeza
antes disso, revoam num sorriso

Teus olhos de festa
Que na distância, abraçam
acolhem, agregam...
e adoçam.

Teus olhos de festa
Que creio, que até quando dormem
acendem pequenos fachos de luz
nas praias desertas

E brincam de roda
com as estrelas do céu

Teus olhos de festa
que o universo os abençoem sempre...


Márcia Poesia de Sá.

Para minha querida amiga Lilian Kirzner !
grata por seres assim...

terça-feira, 3 de maio de 2016

Ur(gente)
Eu preciso da lambida das horas
na nuca do tempo,
para voltar a acreditar em relógios.
Quando teu silêncio me morde
eu afio os dentes em tuas mãos
sujas de tintas e ausentes.
Márcia Poesia de Sá.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Borralhos de anjos

E eu retorno cansada, exaurida pelos ventos tantos.
Sozinha e de asas quebradas, ensaio um riso xoxo
no caminho das paralelas...
E eu retorno esbaforida, espessa, desumana .

Tão pouco de mar, um tanto de lama...
E eu retorno chorosa, desalmada, inflamada
refém de algo que me apunhala...

Tantos foram os cantos silenciados
nos boêmios pássaros de outrora.
Quantas estrelas murcharam nos jardins
d'outros olhos...

Nenhuma janela com alva flâmula
consola minha triste sombra:
não há sorrisos de anjos em flores apagadas...

E eu retorno desabitada de sonhos; feita
de lágrimas pétreas
assoprando os borralhos de minha jornada.


Márcia Poesia de Sá &  Rogério Germani

quinta-feira, 31 de março de 2016

Este nosso estar aqui beira a ilusão
assim como é ilusão o nosso ir
há laços invisíveis, inquebráveis
abraços eternos
olhares que ficam...
e rebrotam a cada lembrança.

Na verdade estamos todos de passagem

e há os sorrisos
ah, os sorrisos!
esses são os mais fortes de todos!
Eles nos farão sorrir
por toda a eternidade ! .
em momentos diversos
e de várias formas diferentes...

Acredite! haverá o tempo deles chegarem.

O senhor tempo, para mim, o mais sábio mestre
vai acalmando as dores, soprando lentamente
pra mais longe, mais longe,
como brisa em cortina de voil

e assim, de repente,
numa manhã você se pega sorrindo
com uma lembrança gostosa
e só resta a gratidão pelo tempo vivido

o perfume da gratidão
ocupa todos os espaços...

E a certeza plena
de que o que nos parece um adeus
é na verdade, um até breve...

Pois o amor, o verdadeiro amor!
jamais nos deixa e segue
ele vive e viverá dentro de nós para
um sempre além do sempre.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Rouco gemido
O grito que te rasga a voz
renuncia aos teus argumentos
evoca barbáries
lamentos
apressa as intempéries
de todos os tempos
o grito te desata o nó
faz retalhos
provoca catarses
estragos
no abismo dos impasses
risca um atalho
Talho rouco na pele do eclipse
Faz sangrar os céus
Em magentas azulados
Gotas de medo e espasmos
Nos céus de todos os ritos !
Varamos as madrugadas desnudas
Silenciosos ecos flamejantes
Por entre fogueiras errantes
Estrelas dançantes riscadas no chão
E Enfim,
O berro ecoa lancinante
Fazendo malabarismos de instantes
E morre gelado na glote
Outra vez.
Wasil Sacharuk e Marcia Poesia de Sá.
Nua e mais nada
quero tua palavra nua,
sem pele, sem remendos, sem acertos
quero tua palavra rabiscada
exagerada
sem lamentos
quero tua palavra direta
enxertada
enfiada
afiada
aprofundando minha alma de teu perto
quero decorar teu dialeto
ouvir tua boca calada
mascando palavras repletas
sem ornamentos
sem emboscadas
tua tônica sem acento
teu verbo sem movimento
em locuções encantadas
quero a palavra que completa
e mais nada.
Márcia Poesia de Sá & Wasil Sacharuk
Poeminha de um tabefe translúcido.
Fui um energúmeno !
um anencéfalo
um pterodátilo tetraplégico
uma coisa qualquer onde não fui eu!
Mas eu sabia, eu sempre soube, de fato
que lá naquele terraço branco
onde eu envelheceria...
onde as cadeiras balançariam minhas memórias
que a poesia teria, um certo apego por mim
E que em sendo assim,
haveria algo de contemplativo no mar das verdades
um calor brando no peito
uma mão enrugada, que mesmo tateando o nada
tatearia um riso meu...
Fui irrisório
transitório
simplório
e vazio fio
d'onde desencapava
os nadas sombrios !
mas...
Eu sabia, ah como sabia...
que as manhãs de domingo não seriam assim tão enfadonhas
que haveria um riso torto percorrendo os corredores
e quem sabe um cheiro de perfume suave
no travesseiro ao lado
da cama em sonho
Eu sabia
que apesar da faca sempre cortar as sobras
haveria resquícios de sonhos ainda não sonhados até aquele dia
um milagre benfazejo, que iluminasse as noites sem lua
e um beijo...!
que de repente, tudo apagasse
como um conto que finda em suspiro
um eclipse lunar.
Como fim do livro
e o começo de um enlace
Fui um idiota descabido
um errante em tantos pontos
enclausurei tantos anos
compondo o inimaginável eu .
Mas eu sabia, ah....eu sabia sim !
que de todos os contos que contei
nenhum teria o final
que neste final, eu dei.
Márcia Poesia de Sá. 2015.