domingo, 17 de outubro de 2010


Medo

Ai! Este meu medo, famigerado medo
Quer me enlouquecer...

Este medo que me consome
Que me tapa os olhos, que me faz morrer

Medo sem verdade, medo sem qualidade, medo de viver!
Medo de ter medo, medo de cegar, medo de ceder...

Medo do espelho, medo do desespero, medo de sofrer

Medo assim do riso, desse improviso
Que é saber viver...

Medo faz marola
Tinge de negro a água
Faz-me escurescer

Medo, mata agora!
Aperta as veias e chora
Vou voar...

Vais ver!

Márcia de Sá...porque a poesia fugiu...de medo...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Lendo-nos

E a madrugada segue colhendo as letras que lhe são telepáticas, algumas apáticas outras cheias de afeto... E a saudade acorda o poeta, que com contagem regressiva, espera cada segundo... Desesperando a manhã e seus raios de amor profundo, que se perderam na noite por entre pontes de medo... Medo do nada que ele pensa o devorar, equivocado que está, por simplesmente não saber ler-se... E como um cego sobre a pele em braile... descobre-se texto, infinito...submisso as suas linhas superficiais e invisíveis a olho nu...mas tão cravadas na pele como talha de si mesmo.
Rasurando suas conjecturas seguem os poetas... na ânsia de mais uma noite. E o sol não perdoa, grita-lhes as realidades, as horas, os tic taques da verdadeira alma que neste corpo sofre por um pouco de ar...
O que fazer? Levantar, lavar o rosto e por a mascara de vida. Enquanto o ser poeta se cala por mais um dia de lida...lendo-se nas entrelinhas dos fatos e guardando a melhor frase para mais tarde...sem alarde...
Solta-la no vento frio de mais uma madrugada.

Márcia Poesia de Sá

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Quem sou eu?

Uma gota...

que recebeu pela vida...

tantas gotas...

acabando por se transformar...

Noutra gota...

que mesmo repleta de esperança...

as vezes chove.



Márcia Poesia de Sá

Meu céu

Porque me abandonas?
nas aguas salgadas do tempo...?

Meu azul é assim,
feito de lamento...
sendo mar a olhar os teus olhos

Azuis olhos de céu...
Plantando núvens nada sólidas
ficas ai, na distância
a chover gotas de féu

Campo minado
Amor assim tão rejeitado...
Um dia sonho em com asas acordar...

levantarei velas, serei mar a revoar...
Para beijar-te,
Bem na hora em que acordar

Beijo de mar
Nos olhos tristes deste céu em agonia.

Farei um vento soprando longe, tua melancolia
Levando ao teu céu...
Um lua com gosto de amar.

Márcia Poesia de Sá

segunda-feira, 11 de outubro de 2010


Neste meu mundo

Há um mar profundo
De águas cristalinas...
Nele há vales e colinas
Crateras e cavernas
Vernizes e resinas

Neste meu mundo
Há tanta fantasia
Nadando no limiar de cada dia
Entre uma marola e outra...

Há seres mágicos...
E estrelas vestidas de gente
Há peixes professores
E golfinhos contentes
Há fadas que me tomam como irmã.

Neste meu mundo
Há polvos ocupados em rodopios
Apertando os parafusos dos navios
Que trazem como nome, ilusão.

E neste meu mundo então
Sou peixe, sou sereia e caravela
Sou onda, mar salagado, sou cratera
Sou amor, sou alegria e solidão

Nas águas claras
Repinto cada cor com um sorriso
E pincelo assim em improviso...
Cada dourado peixinho
Com minha paixão.

Márcia Poesia de Sá

domingo, 10 de outubro de 2010


Quimica?

O que será que há , bem no limite da linha
Tênue linha, entre a distância e o toque?

O toque dos olhos que tanto se buscam na multidão
E que subitamente se encontram...
Que som que isto provoca?

Qual a sensação das mãos
Sendo elas as primeiras a declamar para o corpo em brados
Tal proximidade...?
Qual o perfume deste medo?


Qual a distância que tem entre os lábios
Quando unidos no primeiro beijo
Arrastam por sobre si todos os medos
Queimando anos de ausência?
Que cor exala daí?

E quando os corpos se unem
E todo o sangue jorra mais rápido
E a mente se ausenta
E o coração vira maestro
Da mais linda canção...
Que data rege esta química então?

Márcia Poesia de Sá