terça-feira, 10 de novembro de 2015

Chave Dourada
A Fada da Mata distribui as cores
numa tela retangular
deserto em figuras ricas
surgem flores dispersas
azuis, violetas, amarelas
espalhadas pelos cantos
no alto do morro um olho
na retina azul esverdeada
há coração vermelho
nele, a chave dourada
espera a mão de um Poeta
que dirá as palavras certas
e abrirá a porta
só então as borboletas
as mesmas que voam
uma ou outras vezes
serão totalmente libertas
espalharão-se por toda a obra
como um manto colorido
não haverá discórdia
quando o ombro é amigo
tudo ficará bem... sem sacrifícios!
Dhenova
Toquei a pele
Caminhei tão leve
por entre brisas tênues
nada mais que passos
nas areias sorridentes
Segurei as mãos
e as canecas rubras
e as madeiras cinzas
sofridas e tão fortes
do distante trapiche...
Segurei o choro
e o isopor...
não segurei o amor
este eu soltei nos ventos
nos olhares, nos risos...
Segurei a pele
deste tronco dançarino
alegre de tão lindo...!
com folhas faceiras
De um verde andarilho...
E deixei a folha da lembrança para ti
num cantinho escondido do meu riso.
Márcia Poesia de Sá.
Nós e o tempo
Eu queria escrever o tempo inteiro
mas o tempo, este garoto tão matreiro
jamais se entrega por inteiro
Ele é como neblina nas manhãs
vem, encanta, quase nos cega,
e logo depois, se desfaz...
Eu queria conter o tempo todo
mas este tempo, assim como eu
não se permite engaiolar...
ele tem na derme o gene das brisas
ensolaradas das pistas
por ondem percorrem as histórias
sempre em altíssima velocidade e sem destino...
Eu queria muito guardar o tempo
quiçá numa caixa de porcelana
com uma pintura antiga...
Mas este tempo presumidamente guardável é utópico
Então me resta esses instantes sóbrios
onde busco-nos nas memórias
enfileiradas e tão bem arquivadas
deste tempo que já se foi...(será?)
Olha ! encontrei um arquivo !
nele o tempo estava ensolarado e sobre a linha
a minha letra dançou com a tua
num poema imortal de tão lindo...
Sinto um perfume de mar, sentes?
Márcia Poesia de Sá.
Ao Mago da pena.
( O acolherador !)
Tu que do vento uivante fazes versos
e que do frio intenso fazes queimar esperanças.
Tu que com esta vida brincas de criança,
e escreves amalgamando distâncias...
tu que ousas crer no improvável
e com total talento ensinas o inabalável
desejo de melhoras e sonhos reais.
Tu que começastes sozinho a unir pedrinhas
e a brincar com palavras, formastes linhas
de um conto especial que jamais finda!
- Meu muito Obrigada !
Tu que sugas o verde amargo
e sopras os mais densos e doces verbos
sobre o horizonte da página antes, brancas
deste pseudo acaso literário.
Hoje vejo não uma, mas muitas páginas
e mais páginas se unem a nós,
neste teu, e hoje, nosso infindo livro de abraços.
E é a tu, imensa folha imã de nós todos,
alguém a quem me orgulho de chamar de amigo,
que venho hoje, assim tão simplesmente agradecer
e de todo meu coração queira saber,
sou do teu sonho, da tua amizade e do teu riso,
um ser inteiro e eternamente cativo !
Márcia Poesia de Sá. 2015
Ousadia
É meu amor, aproveite o som dos ventos que sopram tanto ai perto de você, abra as janelas do medo, escancare-as de vez !
Deixe que ele faça revoar todas as listas dos medos que já não fazem mais sentido nenhum. Veja que lindo balé elas dançam em rodopios mágicos, quando se aproximam da porta que leva para o para sempre, acene um adeus agradecido, eles tiveram sua missão cumprida no tempo, te protegeram de possíveis erros ainda maiores, mas deixe-as ir... apenas ir...
É meu amor, já colocou água nas plantas hoje? coloque agora!
e antes, coloque água para esquentar, prepare algo bem gostoso para aquecer teu corpo por dentro, sinta cada gole que desce como um carinho meu e olhe para o céu ! nunca importou a cor que ele está agora, veja o que desejar, pinte seu dia com cores próprias...e observe a arte toda pronta, radiante e internamente agradeça.
Sabe meu anjo? me perguntam sempre de onde vem esta minha paz e alegria, acho sinceramente que vem desta mania de ver beleza em pequeninas coisas. Tenta...não é tão difícil se eu consegui ! vejo uma profunda beleza na luz que invade cada gota que cai no chão, vejo cor e tons no lodo que toma as paredes, vejo vida nas heras que crescem recobrindo as rachaduras de minha alma, vejo alegria em cada pássaro que canta mesmo que para fazer silenciar meu pranto...e conseguem.
Tenta amor ! mesmo quando tropeçares e quase caíres, sorria de você mesmo, gargalhe ! teu riso vai apagar qualquer coisa menos linda que ele...acredite ! sorria de sua cara feia, brinque com ela ! um dia você acostuma-se e então vai te parecer que todo riso é mágico. Ser inocente tem lá seus afagos n'alma.
E se um dia der tudo errado, o carro quebrar, o tempo fechar, a saudade apertar demais, faz assim...chora um pouquinho...mas só um pouquinho tá? é importante lavar a casa antes de receber visitas, deixar tudo cheiroso. Depois do choro, senta em um lugar lindo ( se não der para ir, senta dentro de você mesmo) e brinde com felicidade genuína a sorte de estar aqui...há lições que a gente só aprende muito depois que elas passam então sorria...dê a você e ao tempo a honra de serem teus mestres.
E sempre, ouse !
ouse como eu ousei e ouso e prometo:
para sempre ousarei...
Ser feliz !
apenas isto : " ser " feliz !
até mesmo quando não estou muito feliz
Porque aprendo sempre com a vida que o verbo ser é muito mais importante que o verbo estar.
Seja feliz, ame-se
Porque eu te amo ! Emoticon heart
Beijo mais que terno na alma, coração e mãos.
Márcia Poesia de Sá.
E da profundidade úmida e ainda escura da mata que docemente prateia com ínfimos raios de sol quando os relógios da manhã ainda se espreguiçam sonolentos, vejo subitamente sobre os quadriculados da armação da porta, dois passarinhos em dúvida do que fazer. Seus pés são frágeis. Mesmo assim, numa confiança inconfundível das asas, revoam sobre a placidez da manhã, soltando pelo ar a magia da criação que se expande em meus olhos...
Emerjo do ostracismo, num olhar que, lânguido, se esgarça num silêncio que grita. Meus pés caminham como se ainda pisassem nas nuvens dos sonhos que a noite soprou e entre o espanto e o encanto, me posto diante da cena, do sobrevoo amplo das aves que visitam meu canto, e já tão cedo. Como um balé sem ensaio beirando a perfeição. Desperto, olhos chuvosos de gratidão e respeito por permitir-me a essa visão... O pensamento acompanha a coreografia. A alma respira e vibra. O corpo responde vida...
E a vida vai assim, como um acaso brincalhão, caindo de meus olhos como um caramanchão de flores trepadeiras de violáceas vibrações, quando um e outro entram na casa, brincando de estarem desnorteados, mas tão sorridentes por se saberem seguros num lar que os abriga. E a todos...
E eu, estátua apenas, mesmo com o coração aos saltos salto de vez para o mundo dos sonhos e começo a escrever este conto enquanto ainda ouço ao longe o bater das asas desta felicidade tão sutil que há pouco ultrapassou a porta e seguiu a sua busca de ninho. Assim como nós humanos que buscamos ninho em nuvens de vento.
Sigo a dança que avança rítmica por todo espaço da casa, agora entremeada pelo canto macio e leve que me faz flutuar.
Então, minha alma agradece aos parceiros com um breve aceno.
Até amanhã, passarinhos - peço eu, em silêncio. -
E eu que nada sei
sobre o que ousei saber
que tateio o meio do caminho
como sendo esteio
Replanto as esperanças uma a uma
e aguardo com a tranquilidade anciã
o brotar de brotos do inverno
E eu que brinco de sonhar
com as estrelas
e pulo corda com a lua
ainda acredito
que depois da chuva
um sol espreguiça-se logo ali
Então, logo eu
que rasguei e rasgo medos todos os dias
acendo uma fogueira
e decoro com bandeirolas
a noite dos estrondos sutis
e... adivinho as danças de roda
e os abraços
que ainda serão dados
quando o mar beijar a areia.
E finalmente
Mares virarem oceanos.
Encontro
Márcia Poesia de Sá.