sexta-feira, 14 de agosto de 2009


Insight

Estou só,
mas esta solitude
não é assim tão solitária.

É apenas um vagar de pensamentos,
um lembrar esquecido
um recorrer aos momentos;

Porém, há os novos:
aqueles que deixo repousar em meus desejos;
os que planto em terra fertil de sonhos
e rego com carinho de poesias sempre!...

Há também os devaneios:
os que me aquecem, em rimas, o pelame.
Fazem borbulhar os hormonios
e deixam-me exaurida em imagens,
que eu mesma pinto
e tu nem sonhas...

quando despertas de teu proprio sonho
dizendo sonhar comigo
sem saber
que sou sonho perdido,
[em mim mesma...
sem abrigo...

Márcia Poesia de Sá

domingo, 9 de agosto de 2009


Dor de rio


As dores dos rios que se fazem de margem
para o capenga mundo que se enfileira de branco...
onde o mundo rabisca o fim do ar...
e os homens assinam seu sub mundo

Os olhos cegos de dor de asas tantas
perdendo seus lares que caem
enquanto o zunir da lâmina
destrói a imagem do verde na terra

E o azul sedutor que observa
as clareiras abertas na alma
nem sequer pode chorar
pois da terra ja não ha gota, nem viva alma

Seguindo com ternos pretos
vão os homens ditos sérios
sabendo que de seus dedos
nasce todo este imenso cemiterio

Márcia Poesia de sá

sexta-feira, 7 de agosto de 2009


Entrega

Hoje quero comer nuvens
deglutir ventos,saborear versos...
na mais pura entrega desta sensação
deixar que os poemas me punjam
como fêmea branca de linhas
onde fecundas meu silêncio alvo
e a gravides lírica que me provocas, deixar fluir...
com teus poemas sonoros e rimados
em envergaduras tão bem arrumadas
que apenas pasmo, ao me deixar escrever...

Márcia Poesia de Sá

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Mar, amor, amar

Amar o mar em mar de amor
amor às ondas inundar de amor
amar-te em mar e sabor
e amando assim maremoto será...

amar em mar e calor
velejar em teu mar e me perder...
amor aos ventos do amor
e me achar naufrago de vc....
velas de tanto querer

minha profundidade azul te reluz
em mar de paz e luz
contraposto sonho e realidade
tudo se sobrepõe a naturalidade

meu mar, meu amor , meu amar...
lágrimas e águas em sal
quero cortar tuas aguas e pousar

amar-te em pleno mar
e nosso mar será amar
amando mais que desejar
num manso flutuar
de ondas quentes sobre o mar


Neide Escada da Rosa e Márcia Poesia de Sá

O instante do aguardo da tela

Toco tua pele notadamente branca
e busco os traços que de mim, escondes
mergulho em meus rabiscos abstratos
e desenho-te, antes que te espantes

Busco um modo de recompensa
A presença já se faz por enganos
Os meus olhos são telas imensas
Para caber os rabiscos insanos

E das telas internas e externas
as imagens vão se sobrepondo
fazendo sombra na paisagem
dando profundidade ao engano

Minha mente foca no absoluto
Conjecturas da imaginação
Sou louco, aleijado, incoerente, tudo
Se à perco, inspiração!

E tua pele branca incandescente
se torna então louca e indecente
queimando minhas mãos e coração
no absoluto abandono de mim

André Luiz Anlub e Márcia Poesia de Sá

terça-feira, 4 de agosto de 2009


Rimas Pintadas

Muito antes da penumbra
Rubra mente atuava
De repente deslumbrava
Com a grande falta tua

Teu vazio em meus olhos
o cobalto coração
que goteja de saudade
o toque de tua mão

Explícita fraqueza minha
Que te revelo ao esconder
Meu jazigo, minha vida
Eu submisso a você

Refém de teus desejos
Nos teus beijos cor carmim
pinceladas transparentes
revelam-me a ti, sem fim

No final dessa obra-prima
Vejo borrões de vermelho
Incerto que essa tinta
O meu sangue derradeiro

Nossas telas ai se fundem
como pintar em aquarela
você o pintor de poemas
eu, a poetisa das telas

Márcia Poesia de Sá e André Luiz Anlub

domingo, 2 de agosto de 2009


A valsa dos pintores


Ela nos olha estática e branca
aguarda nosso versejar em cor
enquanto dentro do artista clama!
preciso sair...por favor...

Um grito mudo, ensurdecedor
A dor do encéfalo em combustão
Imaginação desabrochando em flor
Na mão a porta, a solução

Aquece o peito, a mente profusão!
escorrem idéias, cores e emoção
pincel tateia, firme condução
e nela nasce a grande explosão

Carmins se beijam na paixão
e violáceos se encantam
pincéis azuis bailam conosco
na dança louca deste encontro

Energia que não tem fim
arco iris de êxtase pleno
adoração de um querubim
paz, vida, amor ao extremo

Frenético vai e vem de cores
pingos de suor ao chão
na mente, a representação de amores
na tela, a do coração.

Márcia Poesia de Sá e André Luiz Anlub