terça-feira, 5 de outubro de 2010

...Sinto-me tão apaixonada
que até parece, que se eu abrir os braços

poderei voar...

Márcia...de sol e de sal, de vento e de mar...

Márcia de versos e gaivotas a te buscar...

Eu te amo

E te amo tanto que nem compreendo...

Eu te vejo na manhã quando o sol se espreguiça
Vejo-te na taça de vinho tinto...
A sorrir para mim,

Vejo-te no mar que não tem fim
Vejo-te nos meus sonhos...
E até nos pesadelos
Quando te procuro
Sem conseguir vê-lo...

Amo-te nas tardes de sol ameno
No reflexo de céu no lago...
Amo-te em meus pincéis, quando em azuis se disfazem...

Amo-te na tela branca
Em teu sorriso que brilha
Amo-te na minha saudade
Que está se tornando infinita

Amo-te na lua cheia
Na brisa do Recife antigo
No cheiro de terra molhada...
No som de burburinho de rio...

Ah! Eu te amo quando durmo
Quando acordo, quando escrevo, quando apago
Eu te amo quando morro, quando vivo, quando grito e quando calo.

Eu te amo quando te leio...
Quando te lembro...
Quando exalo!

Amo-te na minha loucura
E nos momentos de sanidade...

Eu te amo quando a chuva cai...
E esconde minhas lágrimas
De pura poesia e saudade
Do azul que vive em você.

E para resumir isso tudo...
Apenas preciso dizer...

Que mesmo na distância,
Eu amo amar você.

Márcia Poesia de Sá

domingo, 3 de outubro de 2010


Mestre, o que é o ato de não mentir?

Pergunta o discípulo ao mestre...
E o mesmo com a calma dos sábios, tirando um matinho do chão...
senta-se numa rocha, e segura do discípulo a mão...

- Filho, não mentir é tão fácil, muito mais fácil que mentir.
É só silenciar os orgulhos, calar a boca da dor, matar de solidão a inveja...
Não mentir, é fazer todo dia, no coração, uma festa...
Mesmo que doa em alguns, é remédio de ferida
Mais cedo ou mais tarde verá, que tem na verdade a guarida

A verdade é sempre a vida, o abraço do irmão.
Pois quem mente, na frente sorri, e por traz porta um facão
Que inegavelmente fere, o mais doce coração...

E seguiram caminhando mestre e discípulo então
De mãos dadas as verdades, a harmonia e a união.

Márcia Poesia de Sá

sábado, 2 de outubro de 2010

Hoje Acordei com um certo vazio sussurrante, uma saudade imprecisa

Um “que” de melancolia... Dizem que os poetas tem disso, de quando em quando são acometidos por sentimentos e sensações não totalmente explicáveis.

Será que é a tristeza combustível de poesia?

Ou seria a poesia combustível da tristeza inventada...?

Sabe-se lá...

Apenas sinto a brisa que escorre pelas paredes

E vejo o revoar de pensamentos, alheia a eles...

Distante deles e de mim, apenas observo

Como observa o diretor da peça no primeiro ensaio

Vejo como eles se movem, como se expressam, como calam...

Olho atentamente para as mãos de cada sentimento meu, penso que as mãos falam muito...

E falam tudo. Não há como esconder os sentires internos se olharmos para elas.

Hoje acordei assim, estranha... sozinha...

Vaga como um mar em calmaria...

Impalpável como brisa

Triste...

E se é possível falar em cor...

Hoje acordei num tom de verde oliva e cinza

Mesclados grosseiramente sabe?

Há raios de ambas as cores em minha paleta.

Bom, vou pintar...

Quem sabe eu consiga jogar fora o frio que me consome

E colher da luz da tarde, algum brilho de manhã.

Márcia poesia de Sá


"Ha no íntimo de todos os silêncios e quietudes
a grande magia de todas as possibilidades!"

Márcia Poesia de Sá

Coincidências ou não, andava ja escrevendo muito sobre os silêncios
esses silêncios que de vez em quando tomam os poetas e artistas de uma forma geral...
mas é bem diferente lidar com nosso próprio silêncio, e com o silêncio dos poetas que gostamos.
As esperas são diversas e absolutamente sentidas de formas diferentes.

Hoje em minha meditação esta frase me apareceu na mente
como se envolta em luzes de neon...
espero que seja
tão profunda quanto é a realidade do que acredito...
e que em breve o silêncio se desfaça
e cheio de luz renasça
em belas poesias.

Gostaria de agradecer também a Nancy pela formatação da frase...
adorei querida poetisa.

Abraços a todos
os que passam por aqui...
para ler meus brados, sussurros ou silêncios.

Márcia Poesia de Sá
02.10.2010
Drama

Tenho um drama verdadeiro
Sou artista de mim mesmo
Ergo a tenda, sou palhaço
Sou cambista e pioneiro

Sou a arte, sou a fome...
A fumaça e a bailarina
Sou a dor que me consome
Sou a tela e a esgrima

Sou a ave que morreu
O livro doado ao incêndio
Sou as rezas dos ateus
E as caravelas dos tempos

A atriz velha e surda
Cuja memória é oculta
O ator que já sem voz
Faz monólogo ao albatroz

Sou o poema perdido
A onda resseca na praia
O cansaço de toda uma vida
Que em folhas secas, farfalha...

Sou o drama do poeta
E a asa predileta
De teus olhos já sem vida...

Sou a catarse regurgitada e remuida...
...Sou o ultimo gole
A ingenuidade da rolha

A proteção do espasmo
E a garganta que dói...

Sou o silêncio que berra!
A mente que exaspera,
E a saudade que rói.

Márcia Poesia de Sá

domingo, 26 de setembro de 2010


Há momentos em que os poetas são tomados pelo silêncio.
E isto não tem uma razão óbvia. Apenas são envoltos numa névoa silenciosa e fria como uma brisa, é estranho o sentir deste frio que nos absorve e consome...
Ficamos a mercê do nosso próprio sol que não raia, fica embutido numa nuvem de idéias só a nos observar em agonia.
Um poeta calado é como uma fabrica abandonada, se olharmos de perto, bem perto mesmo...
Podemos escutar umas vozes antigas...
Umas linhas caídas pelo chão...
E quando o vento sopra novamente,
Algumas letras revoam como filme antigo
Voam em preto e branco e é mudo.
Completamente mudo, como um grito ao fim do som...
Como a morte após a vida
Ou como uma lágrima nascida da emoção
Que vem logo após um ponto final.


Márcia Poesia de Sá