sexta-feira, 6 de maio de 2011


Alicerce dos sonhos


Adormeci na madrugada de uma meia idade indecisa e acordei anciã da juventude perdida, catando cartas de amor de um remoto tempo, colhi as flores já secas dos momentos, e reguei-as com chumaços de algodão.
Observei balançando-me na janela da vida, e vi subirem e descerem as ladeiras dos anos. Os meus sonhos sonhados em areia movediça. Engraçado vê-los tentando sobreviver... Do alto de minha janela fictícia, tentei jogá-los cordas de experiências, gotas de ilusão, e copos e copos de fé. Mas mesmo assim nada adiantou. Saíram ladeira a baixo caindo, caindo...

Sonhos inteiros virando destroços, pedaços apenas.
E após a vertiginosa e quase fatal queda, ainda me foi possível ver pequenas pétalas amassadas que largaram pelo caminho.
Catei algumas e as guardei na carteira, para lembrança do ontem que se extingue em meus olhos já úmidos de saudade. E aprendi.
Que se um dia plantar novo sonho, procurarei um solo mais risonho, mais forte, mais conciso e em nada arenoso. Quem sabe a colina ao pé do abismo, com rochas de um para sempre, que possam segurar fortes as raízes das mentes, que tenham densidade suficiente para agarrar as raízes dos meus sonhos, e permitam florescer assim, a emoção.


Márcia Poesia de Sá – 07.05.2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011


De que adinata?!

De que adianta cavar tantos mundos buscando o inesgotável visível, se tudo que verdadeiramente me toca não pode ser visto, nem tocado?

Bem, eu o toco! Ele tem cheiro de flores nascidas após a nevasca, e uma tonalidade arroxeada... a sensação dele na pele, é quase igual a sensação de uma pétala de rosa recém colhida passada lentamente numa pele cujo dono dela tenha os olhos vendados. E o perfume...?

Ah... o perfume merece uma estrofe só para ele. Tem cheirinho do eterno, da eterna memória celular... Que se aproxima de um borrifar de aconchego, colo... Seios... Abraços mornos e aromas.

O gosto dele na minha mente, tem um gosto de vôo...certamente algo que me leva do chão, me tira do momento presente....e ausente me desdobro em varias, tal qual minhas papilas gustativas...viro língua de sentir só para sentir-lhe a carne...e na mente ele se esvai como uma lembrança doce...

É muito difícil descrever o que só se sente na alma. Somos seres captadores de sensações e nossos computadores mentais não estragam a memória... nem aceitam substituições.

É difícil... Muito difícil ser poeta e continuar humano.


Márcia Poesia de Sá - 03.05.2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011



Ah... como é difícil

Saber tocar o intocável
Abrir baús empoeirados
Ver voar borboletas azuis
Que por tanto tempo
Pareciam cinza

Como é difícil abrir a alma
Conter as ondas nada calmas
Que moravam em lagos tranqüilos
Até a manhã do ontem

E ver que o redemoinho que as consome
Pode ser um sumidouro
Do sonho!
As levando para o infinito tristonho
Dos baús tão fundos do futuro

Ah como é difícil acreditar...
Após um tempo de descrença
Que as verdades inegáveis sempre dançam
Os bailes mais profundos da ilusão

Ah como é difícil impor a pena
Quando a alma chora, sofre pena...
Geme seus poemas em solidão.

Se ao menos o verde se fizesse presente...
Haveria um horizonte em minha mente
E meu veleiro branco
Navegaria em paz

Mas no fundo poço deste cais
Há apenas duvidas nada mais...

E o poeta voa sem querer
Um vôo chamado seu sofrer...
Por amar, e assim amando...
Se deixar morrer.

Márcia Poesia de Sá – 28.04.2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011


Ser tua pétala
.
Marcia Poesia de Sá


.

Eu Queria te sentir os aromas...
Assim bem perto da pele...

Como quem olha em raio x
A alma do poeta enamorado

Queria te tocar os olhos...
Prometo não machucar tuas estrelas!

E caso a tua lua já esteja alta
Deitaria no chão só para vê-la

Eu queria te ouvir os brados
E transformar tuas fúrias em risos...
Transmutar dor em suspiros

E permitir que tuas brisas
Soprassem minhas nuvens vazias

Adentrar teus sonhos líricos
E assinar com beijos, tuas solidões

...e no raiar daquele dia
Adormecer em teu peito

Como pétala caída,



Gostaria de agradecer aqui ao grande poeta Calaça pelo carinho da imagem. Ficou perfeita!

domingo, 24 de abril de 2011

Queria falar um pouco do amor


Talvez não este amor que andamos vendo passar por nossos olhos ultimamente
Queria falar do amor, no seu melhor momento...
Na eternidade de um sentimento!

O amor que acolhe, afaga, espera, perdoa e simplesmente ama...
O amor que abraça com o coração, beija com paixão e toca com cuidado...
O amor que se doa porque se não se doar morre!

Queria falar de um coração que já não acreditava
E que se sente renascer... Como planta seca após uma chuva

A força do que rebrota sem jamais ter morrido de fato

Eu queria tanto falar do amor...
Mas me perdoem, por favor...
Estou tão apaixonada que não encontro palavras.

Eu só queria...
Falar do amor.

Márcia Poesia de Sá – Abril 2011

Minha vida...

ando pintando tantas cores coloridas
que já nem sei se é tela pronta ou obra prima...

vejo raiar o sol em mim
que em ti ilumina

e os teus raios
me aquecem até no luar

minha paleta ja tem tom de eternidade
e mesmo sendo este desenho já de idade
brota criança
na meiguice de teu olhar

Pintei verdades
felicidades e lamentos

hoje eu só pinto
as verdades escaldantes
que juram tanto
os sentimentos radiantes

guardados mornamente em nossos corações.

Márcia Poesia de Sá
Abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011


E se as montanhas tocassem o céu?

Seriam como seios a serem lambidos por núvens
Uivos de matilhas congelando frios etérios
Frutos flores galhos, transformando-se em estrelas
e estrelas e cometas dependurados nos matos

Corredeiras de chuva comendo os lagos de prantos
e tantos passaros colados no negro manto

Se as montanhas tocassem o céu...
Derretendo-se seus gelos
Eu voaria até a imensidão da lua
só para plantar um pé de estrela

Márcia Poesia de Sá