quinta-feira, 9 de julho de 2009


Meu coração
Num peito vasto e sombrio
bate um coração recluso
preso nas muralhas invisíveis
que um dia eu construí

Morto na possibilidade da escolha
com olhos vedados em sedas
ele rasteja nas pedras
buscando um pouco de luz

Sonha seus antigos sonhos
se ilude com gotas de afeto
daquele que o deixou sem teto
recluso nesta imensidão

Calado em calabouço chora
sua triste condenação
vai viver a vida na aurora
nunca mais terá perdão

Pois quem o teve, hoje mora
na mais completa solidão
perdeu sua memória
nas muralhas da ilusão

Márcia Poesia de Sá

Tu vens


assim quase como quem não sabe se chega ou se volta
se abraça ou empurra...se deixa se foge
Chega assim indeciso quase arisco, como bicho

Voce olha e tira a vista...
encara e baixa o olhar...deixa-o vagar
mas te olho com ternura e compreendo tua loucura
e te deixo se acalmar...

Você assusta ainda mais não quer toda essa paz e foge de vez...
corre serras e abismos...voa alto e despenca
se quebra todo no vento...se desfaz e chora!

Volta sem querer voltar..olha sem querer olhar
busca sem saber como...inquieto coração grita
e você destoa teus sons...acostumado estava ao vazio

Enquanto sinto o vento em meus cabelos
e meu olhar te observa calmo
numa ternura infinita de quem sabe esperar...
enquanto você...

Deita em um cobertor de folhas e aguarda...
pois você foge sem saber pra onde
grita sem saber do que
chora pelo que nem sabe
e....

perde sem saber ...
que ama sem querer...

Márcia Poesia de Sa

Enamorando-te



Você belo filho das uvas
úmido gotejar de sonho
das videiras sou avó
sou herança de outros mundos

Elegante criatura
de vestido cor carmim
embalado neste taça
deglutindo um pouco de mim

Se misturas aos meus eus
e me fazes de morada
amanhã quando acordar
serei tua namorada

Nesta taça tão brilhante
tu me olha apaixonado
e eu te beijo na distancia
olhos fixos no nada

Márcia Poesia de Sá
Viagem ao mundo Frio


Longe de casa
oceano me afasta do lar
com olhos brancos observo
as plantas...como são santas !

Perdem suas folhas...secam seus troncos
Parecem estar mortas
más não estão

Se fantasiam de secas
pra enganar a neve que cai

O povo coberto de peles
casacos e mantas
nos pés, o couro das botas
nas mãos pelica das luvas

De longe imponente me olhas
mágica montanha de gelo
parece que no fundo temes
o calor de meus olhos de sol

Ficamos assim por um tempo
unidas no olhar e no pensamento
Tu pensas no gelo do inverno
eu penso nos olhos do vento

Márcia Poesia de Sá

sexta-feira, 3 de julho de 2009




O cheiro do ar

Uma brisa fresca adentra minha alma, ela não fala...canta...
Traz na voz incrustada um gosto de saudade ida...
Um tempo de sol que entardeceu, um momento findo
Ela tem cheiro de adeus em lençóis de seja bem vinda
A brisa perfumada de vontades percorre minha alma
e ronda suavemente as praias esquecidas
coqueiros a fazem reverência, enquanto ela, leve e linda
forte e frágil...amada, adorada e esquecida me beija o rosto meigamente
e parte latente e resignada em seu destino : a vida...

Márcia Poesia de Sá

quarta-feira, 1 de julho de 2009


O negro silêncio das cores


Os sons de tons vários silenciam seus brilhos

As notas de minha musica se perdem numa sonata vazia

E o eco do velho teatro mais nada irradia

Uma tela se exibe insana e irreverente

insistindo um toque de pincel ausente

E a negra noite me abraça com seus braços quentes

enquanto estrelas apenas se fazem cadentes

E eu embrenho na mata dos sonhos

Abraçada ao cavaleiro da noite

Cavalgando em seu alazão

entre ondas de morno açoite

ouvindo o deserto som da praia mais bonita


Márcia Poesia de Sá

Reciclando alma em metal

Derreto objetos por cima das telas
e deixo que escorram como lava
me acho reclusa, retida, um silêncio
Sofro o expor das cores flamejantes

Corroo os materiais como ácido cintilante
e modifico a textura de teu semblante
raspo com espátula tua face de meus olhos
e pinto um novo queimar em tua sombra

Rasgo as almas corroídas do teu tempo
e lixo o brilho que tinhas e só eu via
Envernizo teu sorriso irônico

Emolduro este amor tirano
e guardo a obra do espanto
em algum ateliê abandonado

Márcia Poesia de Sá