Lá fora, cá dentro!
Lá fora a natureza abençoa o dia, as gotas de cristalino brilho escorrem lentas pelas tonalidades infindas de tantos verdes das folhas que mais parecem aquarelar-se por entre veios que desenham na textura do dia uma calma que pulsa. Pulsa e bate como corações.
Um silente batimento ritmado soa de dentro para fora da mata em ondas invisíveis, e das nuvens que despencam em gomos caem todos os choros guardados por tantos séculos assim, esquecidos.
Lá fora a natureza canta a canção das florestas, em notas e gotas de chuva, lavando cada veio, cada canto, cada ínfimo milímetro do sonho que por ora sonhas, sem ao menos saber, o que acontece do outro lado de teus olhos. O cheiro de terra molhada invade-me os pulmões alargando cataratas, e fazendo com que os rios sigam seus rumos , contornando os obstáculos como se fossem apenas pequeninos seixos do caminho, nessa busca incessante d'algo que ainda que ainda não se sabe, mas que é tão nítido na essência, que quase consigo sentir na pele. Subitamente já não mais tem nada a ver com a mata, nem com a chuva que insistentemente cai a levar e lavar tudo, filtrando a terra toda num mergulhar de paz...
Subitamente, já não se trata de espíritos afins, percorrendo seus caminhos mesmo que plasmados em seus destinos, e corpos aparentemente distintos e de mãos dadas com o amanhã, subitamente já não significa que a vida deu uma pausa na rotina de listras e começa finalmente a riscar arabescos de tons suaves, não! não é apenas isto. Atravessamos os portais mais árduos e longínquos, durante nossa solitude apenas olhamos as marcas que fazíamos nas areias do tempo e nos cansaços observávamos os rastros que aos poucos sumiam nas dunas a moverem-se como andarilhas de algo que ainda não sabemos. Mas hoje, algo se faz magia! a paz liberada por cada amanhecer lento e terno, acumulou-se em nuvens que agora parecem que desabam dos céus, em gotas de puro cristal a confundirem-se com as lágrimas que de meus olhos escapam e penetram na terra, uma outra vez...Enquanto as notas do piano são dedilhadas numa oração que vaga pelo vento, abençoando você e todos.
Os papiros guardados estão neste exato instante sendo encontrados e desenrolados por mãos de peles mais sutis que a brisa que sentimos nas manhãs. Na sala amparada por raios brancos, em cujas paredes só o claro há, fachos de luz de médio tamanho caminham como se não tocassem no chão, são leves na mais contundente expressão da palavra. Não sei o que levam ou se algo trazem, ou para onde vão, apenas os vejo passar e atravessar portas que ainda não sei aonde levam. Nesta breve visita de menos de um segundo, apenas vejo os rolos e rolos de papiros sendo abertos, infiltrarem-se de luz e depois desaparecem no ar, como por encanto.
Márcia Poesia de Sá. - 23.06.2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
Por um fio
A arte de se refazer,
traçar a linha imaginária,
pisar sem nada corroer,
rimando uma palavra alada.
A arte de arder em flor,
compor uma disritmia
dançar em um sussurro terno,
confundindo tua caligrafia!
Aramar o eco fenecido, regar os solos de poeiras...
raspar as cascas tingidas de orvalho, pingando gotas de puro cristal
nesta cadência de puro arrebol, e amanhecer em raios de calor!
A arte de tecer os sonhos rodopiando em luzes encantadas
tocar os lábios, que em pétalas se transformam, como se estrelas
pudessem cantar...
São esses feitos que subitamente,
ocorrem ao tocar das mãos!
...que então entregues ao tato do momento,
personificam-se em explosão.
E foi na reta traçada nos olhos, todo o inicio desta perdição..
Que ao perderem-se em veios de sentidos, finalmente reencontram o fio
de sua razão.
Márcia Poesia de Sá .
A arte de se refazer,
traçar a linha imaginária,
pisar sem nada corroer,
rimando uma palavra alada.
A arte de arder em flor,
compor uma disritmia
dançar em um sussurro terno,
confundindo tua caligrafia!
Aramar o eco fenecido, regar os solos de poeiras...
raspar as cascas tingidas de orvalho, pingando gotas de puro cristal
nesta cadência de puro arrebol, e amanhecer em raios de calor!
A arte de tecer os sonhos rodopiando em luzes encantadas
tocar os lábios, que em pétalas se transformam, como se estrelas
pudessem cantar...
São esses feitos que subitamente,
ocorrem ao tocar das mãos!
...que então entregues ao tato do momento,
personificam-se em explosão.
E foi na reta traçada nos olhos, todo o inicio desta perdição..
Que ao perderem-se em veios de sentidos, finalmente reencontram o fio
de sua razão.
Márcia Poesia de Sá .
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Desonhos
Há umas coisas diferentes para seres que viram natureza, como eu.
Escutam árvores e elas em sua eterna paciência, respiram calmas
sussurram coisas, adoram contar histórias e aquelas mais jovens,
gostam de dançar e contam piadas!
As folhas das árvores que as preguiças preferem, costumam zombar delas
se entregando ao vento sempre que a preguiça se aproxima e tão devagarzinho estica o braço, ficando cada vez mais longe dela e sorriem entre si, as folhas.
Também ouço as pitanguinhas maduras, quando vai amanhecendo, algumas pulam dos galhos, as mais maduras e reclamam dizendo: prefiro virar semente que café de passarinho...mas algumas não e repetem faceiras :
- vem passarinho! hoje sei que vou voar!
A mata é um colo morninho de muitas vidas, e quando a noite vai indo embora ouço as janelinhas dos ninhos se abrindo, e mata boceja, as vezes fala de seus sonhos e se entrega sempre apaixonada aos raios quentes do sol que sempre a penetra suave, como carinho. Esses seres que viram natureza, entendem de tudo que não se ouve, tem dias em que mesmo na mata, eu acordo mar, ás vezes rios, e há os dias de deserto, dias de ser apenas paisagem, e os outros em que eu pego os meus pinceis, as penas e ai largo no ar coisas que vem dos meus sonhos, ou dos desonhos! quando durmo na grama ou afundo no mais absoluto azul marítimo...e só borbulho poesias e fantasias, broto, floresço, amadureço, caio madura no solo, viro semente...e tudo recomeça assim, infinitamente.
Márcia Poesia de Sá.
Há umas coisas diferentes para seres que viram natureza, como eu.
Escutam árvores e elas em sua eterna paciência, respiram calmas
sussurram coisas, adoram contar histórias e aquelas mais jovens,
gostam de dançar e contam piadas!
As folhas das árvores que as preguiças preferem, costumam zombar delas
se entregando ao vento sempre que a preguiça se aproxima e tão devagarzinho estica o braço, ficando cada vez mais longe dela e sorriem entre si, as folhas.
Também ouço as pitanguinhas maduras, quando vai amanhecendo, algumas pulam dos galhos, as mais maduras e reclamam dizendo: prefiro virar semente que café de passarinho...mas algumas não e repetem faceiras :
- vem passarinho! hoje sei que vou voar!
A mata é um colo morninho de muitas vidas, e quando a noite vai indo embora ouço as janelinhas dos ninhos se abrindo, e mata boceja, as vezes fala de seus sonhos e se entrega sempre apaixonada aos raios quentes do sol que sempre a penetra suave, como carinho. Esses seres que viram natureza, entendem de tudo que não se ouve, tem dias em que mesmo na mata, eu acordo mar, ás vezes rios, e há os dias de deserto, dias de ser apenas paisagem, e os outros em que eu pego os meus pinceis, as penas e ai largo no ar coisas que vem dos meus sonhos, ou dos desonhos! quando durmo na grama ou afundo no mais absoluto azul marítimo...e só borbulho poesias e fantasias, broto, floresço, amadureço, caio madura no solo, viro semente...e tudo recomeça assim, infinitamente.
Márcia Poesia de Sá.
Só quem ama a Poesia...
convive e conhece poetas
nem que os conheça vários
nas folhas brancas...
entende como são suas almas...
algo de linha
que abraça
algo de estrofe que fecha-se num círculo!
só quem conhece poetas
entende o que falo agora!
obrigada meus amigos poetas
sinto-me verdadeiramente
lisonjeada por tê-los
em meus dias....
pois escrever poesia
é abrir o coração
aos ventos de tantos olhos
e fazemos isso
com a coragem dos titãs.
De Sá.
convive e conhece poetas
nem que os conheça vários
nas folhas brancas...
entende como são suas almas...
algo de linha
que abraça
algo de estrofe que fecha-se num círculo!
só quem conhece poetas
entende o que falo agora!
obrigada meus amigos poetas
sinto-me verdadeiramente
lisonjeada por tê-los
em meus dias....
pois escrever poesia
é abrir o coração
aos ventos de tantos olhos
e fazemos isso
com a coragem dos titãs.
De Sá.
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