segunda-feira, 31 de maio de 2010

Por onde eu ando?

Perdi o tempo, o leme... A direção
Emoção se faz de morta, perdi a concentração
Caminhei por caminhos cujo vento apagava minhas pegadas
Como se eu fosse apenas marola de vento em duna

E esta mesma duna, que a meus passos acolhiam
Era ela também engolida pelo vento e sumia de meus pés...
Perco-me facilmente de mim.

Acho que já ando me despedindo faz tempo...
Enjoei desta casca dourada. Queria ser novamente fluido
Apenas uma luz... Sem temperatura, nem escravatura, sem cansaço de ter de viver.
Ando tão exausta de continuar morrendo a cada dia
Perdi a luz daquela manhã, e o raio que despedaçou a árvore
Perdi a lágrima de amor, perdi a saudade... Perdi a idade e a sanidade...

A mim, abandonou...

Saiu sorrindo de mim, pela porta branca...
E num facho de luz do corredor apenas olhou-me de longe
Perdi os neurônios, os sonhos, a dançarina de neon, perdi o show do Oswaldo...
E um tanto de pecado, que me neguei a cometer...

por onde anda minh’alma, atordoada e
embora tão densamente amarrada, vaga sem rumo no ar...

Chego ao fim da duna... O dia já percorreu todos os meus labirintos
E sento exausta num raio de lua... Que me acarinha com a brisa fria
Como se tivesse até com medo de me tocar.

As estrelas me olham com ternura
E eu sei que a elas também perderei um dia...
Quando meus olhos não mais puderem enxergar

Então, as guardo nas gavetinhas da memória... Que andam já abarrotadas.
Pois só assim as terei para sempre
Como ainda tenho de algum modo, tudo aquilo que de fato já perdi.

Márcia Poesia de Sá

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Quando pinto o céu

Antes mesmo de tocar no pincel
Os anises se abraçam em minha mente...

Mesmo que um tanto de lilás me negue um sorriso
Calmamente o recuo às bordas de meu cais

Cais deste mar branco e faminto de nuvens
Retângulo de um infinito de possibilidades

Acalmo... Penso no ar...
Respiro e o permito invadir meus pulmões...

Pois só assim pintaria nuvens reais de sentimentos
E um rodopiar freneticamente calmo toma minhas mãos...
Bailo em meu céu de branco e sombra...

Onde nas bordas das nuvens os azuis se escondem de mim...
Tateio a alma do céu enfim...

E de repente me assusto!

Com uma gaivota que surge sozinha brincando em meus pincéis
Mergulha na tela e some lentamente...

Na curva da montanha que na distância, me acena...

Márcia Poesia de Sá -17.05.2010 – 23:27hs
Eu, bonsai - prosa


Como posso eu, deixar-me assim no abandono de teus olhos, sendo presa de abutres entre cores, que nem mesma sei quem as pintou?

Como devo proceder se nada aceito, se a razão deste poema que me cala é a vibrante paleta de teu querer...ou não querer...

Falo em linhas e dentre linhas me desfaço, puindo-me neste espaço de um azul quase febril.

Poesia, crítica; papéis isolados...no birô da casa mal decorada, de uma ilha em forma de bota...que chuta o vinho de minha eterna sapiência...

Haja vida, para superar esta benevolência edipiana, que esinou-me a ser mais prosa que grito, mais verso que berro, mais sutil que o mais sutil dos seres.

Aonde poderia eu, esconder-me de mim mesma, permitindo ser assim, apenas a fúria? Nem sequer imagino onde...

Porque se adentro-me, uma brisa com perfume de flores inebria-me e hajo como jardim chinês.

Perfeito...em sua calma e harmonia, mas esconde em vasos lindos e brilhantes, arames que amarram seus ais, como bonsais...

Eternamente reclusos a uma beleza placidamente dolorida.

Como posso enxergar-me?!

...se sou cega de dor, e de amor vejo tudo....


Márcia Poesia de Sá
Vida Breve

Nascemos com olhos de um todo
Em verde gritante de alma
Os anos nos colorem, a todos
Róseos sonhos nos declaram
Face a face com o destino
Redefinimos paletas
Nascemos com olhos de um todo
O mundo nos mostra a ampulheta!
Sábios pintores nos pintam...
O tempo
As dores
As perdas
Mergulhando e saindo de labirintos
Começamos a tatear nossas teias
As cores vão se pintando mais pastéis
A vida torna-se um breve colorir
Santos demônios e raios
Fantasias de uma poesia lírica
Os sépias são tudo que resta
Quando os olhos do verde
Fecham-se à visão da vida
Vida, tão breve vida...
E a poetisa das cores
Fecha a maleta das tintas
Com um pincel ainda molhado em carmim...

Márcia Poesia de Sá

terça-feira, 18 de maio de 2010

Em meu caderninho de sonhos...

Certo dia, esqueci meu caderninho, na floresta das palavras, adormeci bem quietinha embaixo da copa de uma arvore, quando acordei, era tarde e a noite já cobria os caminhos, assustada levantei e corri para casa, esquecendo assim...a pena e o caderninho.
Na manhã seguinte percebi, e voltei mais que rápida aquela copa... Lá estava ele, onde deixei, penso que chorou minha falta... O pego com carinho da grama úmida de orvalho, ainda... E dou-lhe o maior de todos os abraços...que medo tive de perde-lo! Ainda bem que não choveu.
Sentei para vê-lo por dentro... E qual não foi a surpresa, na ultima pagina, escrito em lilás, havia o seguinte pedido:

“Dá a receita... Preciso tê-la!
- Que magia preciso, para não amar-te assim? Passei a noite aqui a proteger teus sonhos escritos aqui no caderno, que esquecestes por certo. Mas se eu li tua alma, e isto, sei que o fiz, com certeza amanhã verei você voltando aqui...”

Fiquei pasma e absorta, não havia qualquer pegada...

- Quem teria escrito aquelas coisas?
Neste recanto distante, dentro desta mata...

Mas grata por ter protegido o meu pedaço de céu, pego um graveto na mata...e rascunho na terra o seu pedido...certamente deve ter sido um Elemental, e estaria por ali a me observar, logo leria minhas palavras, que comecei a traçar...

Magia:
Procura uma lua de cristal...
Numa noite de lua cheia
E a jogue de cima de um pé de maçã
Dentro de um lago encantado
Peça em voz alta três vêzes
Aos anjos fadas e aos colibris desta mata
...

Se a ti, o sol der uma risada
Teu pedido terá sido aceito
Contudo, se sentires um nó no peito...
Saibas com certeza, que jamais sairei daí.

Márcia Poesia de Sá
- 18.05.2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Paz do Vazio

Houve dias em que fostes minha unica estrada
Meu unico caminho, minha verdade...
Houve dias em que tua voz era lei
E já nem sei, por onde andam tais dias

De nós quase não lembro mais nada
das nossas tardes no centro da cidade
perdi no tempo tudo o que a ti jurei
bem que tentei, mas não encontrei poesia

Os nossos versos soltos pelo vento
cartas de amor, amarelaram lentas
nem mesmo tormentas, existem mais

Nosso mundo foi tragado pelo tempo
Não há mais calor, nem nos dias quentes
ficamos indiferentes, encontramos a paz.

Márcia Poesia de Sá e Wasil Sacharuk
Não adianta

Decidi que irei te amar
E te amarei tanto e tão infinitamente
Que não haverá como negar
Em meus olhos plantastes estrelas
E elas reflorescem todo dia
Exalando aroma de poesia
Fazendo-me eclodir em botão
Como rosa em um sertão
Na gameleira do dia

Raízes fincadas no chão
Mas ai entra a poetisa que mesmo se sabendo tronco
Fecha suas folhas ao vento e decola neste amor
Se do mar tenho meu nome
Saiba amo como oceano
Que a ninguém é permitido limitar
Amo como maremoto
Ondas de estrondoso som
Ou carinho de calmaria a cantar

Decidi amar você
E tocar viola a beira mar de mim
Comer estrelas...sonhar poemas
Adocicar o açúcar
Iluminar os dilemas


Decidi que vou te amar
Jamais posso negar
Que choro quando leio você
Que sonho em escalar montanhas
Sem cordas, neste amor...
Louco e infindo amor

Decidi amar você
Para valer! Sem redias nem correntes
Nas tempestades ou torrentes chuvas de verão
Não adianta dizer não

Agarrei a coragem no dente
Fiquei demente
Amarei sem exceção
A fragilidade do medo
Joguei fora da janela
Pulei cerca, corri campos
Cavalguei em alazão...
Fiz mergulho submarino
E sorri ao tubarão
Não há nada nesta vida
Que me faça desistir
Decidi amar você...

E daí?

Márcia Poesia de Sá