quarta-feira, 11 de novembro de 2009


A iluminação

Um dia me despeço de meu ego
E parto em paz para o maior mergulho
Intruso de mim mesmo, em completa solidão
Me reconheço alma em evolução, apenas.

Nada ha de mim, de meu, de eu...
Nada sendo assim, apenas um eu, a luz
O perdão inexorável a humanidade
Reflete-se na mais pura humildade
De se saber falho, em todos os sentidos

Ha uma luz interior, e um silêncio apenas
A paz que tanto buscam, no interno de si... vive!
Convive com barulhos de um orgulho burro
Até que resplandece numa luz imensa

E assim alma e espírito, ser de conciência
eterno como o universo e suas luzes
Brilha alma e vida numa morte eterna
Do egoísmo rude, ignorante e inutil

Transformando então em puro pó de sombra
De estrelas cadentes de um abismo mais que profundo
O ser humano, vegetal, mineral e animal
Numa etéria globalização de nadas
Abraçadas no umbigo de um tudo.

Márcia Poesia de Sá

Paredes de pedra (Novembro)


Já eram onze os guardiões do templo
Decaptados pelo vento das chapadas
Nas rochas úmidas do firmamento
Observavam vagas passaradas

As pedras soltas, vomitavam areias
De um largo ano que se arrastava
Como serpente na areia quente
Ele deslizava pela vida demente

Naquele onze, a olhar o horizonte
Vi o negrume, tempestade louca
Calou-me a boca num suspiro triste
Em riste a morte, deu seu ultimo lance

Fúnebre clarão em meio ao ano
Que se despede então em agonia
Levando as labaredas da razão
Daquele adeus, que não te dei um dia

Conto hoje as pedras, deixadas a margem
Contornando o rio de lágrimas que ficou aberto
E vejp na transparencia de suas aguas
As imagens tantas, que guardarei, por certo

Triste e terrivel ano, dividido em lascas de medo
Corroído pelo tempo, cruél e infinito sujeito
Dilascera a morte, come seu cotovelo
Impedindo enfim, a história de ser escrita

E os olhos vagos de crianças aflitas
Revoam os albuns de amarelas fotos
Buscando o sorriso, o abraço terno
Daquele que no onze, se foi...santo.

Márcia Poesia de Sá - 11.11.2009
E o silencio...

Como folhas rasgadas, amassadas
Retiradas de um diário sórdido
Rasgo memórias roucas, lamentadas
Sem razão de ser, reviro-as...

Abro baús mofados com os vírus da mentira
Bagunço os sorrisos que de la saiam
E pulverizo razões incabidas e insanas
Nas paginas das indecencias tuas

Falo da voz que se cala estupefata
Gargarejando vinho tinto
na boca da noite cálida

E sussurro lembranças toscas
No fim do livro empoeirado
Que ao acabar de ler, jogo na lareira!

Márcia Poesia de Sá

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Impressionista


Era cedo e o século se devorava lerdo
as linhas tendiam a perfeição pura
no lamento enlouquecido, quase fotográfico
a arte amarrada e velada, calada na boca da rua


As cores eram sóbrias e frias...
condenadas a uma seriedade abissal
e do sal das lágrimas de alguns artistas
amarrados em cordas impostas, dor descomunal


Mas a coragem as críticas banidas e injustas
levantaram a bandeira...liberdade!
e eles todos dos grilhões pularam
e mergulharam nas aguas limpidas do Sena

Fazendo festas e luzes de amarelo gritante
jogando o vermelho que berrava a todo momento
e pontes com dois traços e a luz mais adiante
acenderam uma nova era na arte, que estava gestante

Parindo o Impressionismo neste instante
e decompondo a cor, a luz e o som gritante
encantam o mundo com sua arte, dita louca
belamente abraçados entre si...Monet, Manet e Renoir...
entre tantos outros gargalhavam...
e dançavam no baile da luz...
ao som de noturnos...e aplausos da lua!

Márcia Poesia de Sá

domingo, 6 de setembro de 2009

Meu amor

Ai! amor me perdoa...
se não clara como lua fôra

Se escondo minhas nuvens em meio a sorrisos
se apenas te amo em momentos de improviso

Perdoa-me não ser tão clara
A deixar-me perder nestas rimas
Quem sou eu, para julgar-te meu
Mesmo que perdida tantas vezes em linhas


Sabes que me tocas, e isto é real !

Compreendes minhas fases de mar tão surreal
Por tantas luas navegastes neste mar quase sideral
E sabes como poucos, direcionar a minha nau


Este barco de sentires de chorares de morreres e reviveres
Como fenix, no incendio de desejo que se forma ao ver-te

Meu amor, por favor...te imploro...
não me toques...!

Pois se assim o fizeres
mergulho dentro de mim e me perco...
Como veleiro a deriva de mim mesma

E jamais me reconheço
Não reencontro minhas rotas
Já nem sei sequer se velejo

Se te encontras perto assim...
Eu simplesmente anoiteço


Márcia Poesia de Sá

Cortando-me

Venha cortando e riscando traços em mim...
deixe seu reflexo branco na minha superficie
e adentre em aguas frias...

Faça-me ondas de arrepios...
e as deixe seguir seus caminhos
em consequentes marolas a se espalhar em mim

Olhe para meu horizonte aberto
e não tema se perder...
siga adiante! viage...

Eu me entrego a ti...
e permito-te

Tu me invades certeiro
e corre por minhas aguas transparentes...

és meu veleiro branco
e eu teu mar eterno...

Marcia Poesia de Sá

Mar aberto

Rasgo-me o mar de cheiros
em ondas verdes e azuis
direção na mente consciente
velas bradam seus tons e sons

E no chacoalhar de tecidos molhados
os respingos salgados de ondas deste mar bravio
penetram-me olhos e coração...vejo sem ver
horizontes de medo, pintam o céu azul
com tons nem tão claros

Entro na cabine...e rezo pela manhã...
pelo sol que troque a lua de posição
acendo velas, esquecendo as velas de um temporal
e em suas chamas te chamo...
na materia lirica de um fogo imaginario
escrevo teu nome em resina..
e o deixo derreter,,,
em gotas
de ti
pra mim...
de mim
para ti

a noite toda...

Márcia Poesia de Sá